* Referência(s):
BECKER, Fernando. Modelos pedagógicos e modelos epistemológicos. BECKER, Fernando. Educação e construção do conhecimento: revista e ampliada. 2 ed. Porto Alegre: Penso, 2015.
* Considerações:
"Sempre que se considera o desenvolvimento em uma perspectiva epistemológica, uma multidão de problemas aparece com clareza, com tal evidência que nos surpreendemos com o fato de que ninguém os havia visto antes. (Piaget, 1973/1977, p. 83)"
Existem 3 maneiras de representar a relação ensino aprendizagem escolar entre o professor (docência) e as atividades na sala de aula.
-Pedagogia diretiva é a que mais se vê, principalmente em escolas públicas. O professor fala o aluno escuta, o professor decide o aluno executa. O professor age assim porque acredita ser o transmissor do conhecimento e o aluno é a tábula rasa, uma folha de papel em branco que nada sabe até ir para a escola e submeter-se à fala do professor até memorizá-lo, não importando se compreendeu ou não. Como um modelo empirista, seria a reprodução do autoritarismo, da morte da crítica, de tudo que configura uma atividade reflexiva, filosófica ou científica, ocorre a morte da pergunta, então cria-se um profissional que não evoluiu, que aprendeu a silenciar, mesmo discordando, renunciou ao direito de pensar.
-Pedagogia não diretiva é uma prática difícil de detectar, onde o professor é o auxiliar do aluno, um facilitador que deve interferir o mínimo possível, o aluno decide o que fazer. O professor acredita que o aluno aprende por si mesmo e renuncia o que seria a característica fundamental da ação docente que é a intervenção no processo de aprendizagem do aluno. Este modelo apriorista é visto mais comumente nas escolas particulares onde os alunos vem de casa com uma bagagem enquanto que crianças menos abastadas vem rotuladas ao fracasso e o professor se ausenta do papel de ensinar.
-Pedagogia Relacional ocorre quando o aluno e o professor entram juntos na sala de aula. O professor traz algum material e propõe ao aluno que explorem o tal material problematizando, questionando o que funcionou e o que deu de errado, dessa forma algum conhecimento novo é construído através de reflexão a partir de questões levantadas ou pelos próprios alunos ou pelo professor. Neste modelo construtivista, o docente toma posse da história de conhecimento do aluno, ou seja, ele vem com a aprendizagem da língua materna e é capaz de aprender qualquer coisa, aprender sempre. Segundo Freire "o professor, além de ensinar, aprende, e o aluno, além de aprender, ensina".
Diante desses modelos, devemos refletir sobre nossa prática docente - a pedagogia diretiva seria o modelo tradicional do ensino aprendizagem onde o professor é o centro do saber, a pedagogia relacional onde o modelo epistemológico crítico do professor e do aluno são ativos no processo de ensino e a pedagogia não diretiva onde o professor se exime do dever de ensinar. Para Becker "Vive-se intensamente o presente a medida que se constrói o futuro, buscando no passado sua fecundação", não podemos nos esquecer do passado, aprendemos com ele, mas precisamos nos atualizar e pensar no aluno como um sujeito único e do sédulo XXI.